terça-feira, 14 de abril de 2009

Ferroviários decidem manter greve no Rio

Circulação de trens foi interrompida mais cedo, diz SuperVia. Paralisação já dura dois dias.

Em greve há dois dias, os ferroviários informaram, na noite desta terça-feira (14), que vão manter a paralisação no Rio de Janeiro por tempo indeterminado. As informações são do Sindicato dos Ferroviários. Segundo o presidente do sindicato, Walmir de Lemos, a decisão foi anunciada em assembleia realizada em Deodoro, na Zona Oeste.

No encontro, segundo o sindicato, foram discutidos novos avanços das negociações com o secretário de Transportes, Júlio Lopes, e com a SuperVia, concessionária que administra a linha férrea no Rio.

Mais cedo, representantes do Sindicato dos Ferroviários se reuniram com os diretores da SuperVia. A empresa analisou as reivindicações da categoria, entre elas a segurança dos trabalhadores. O documento foi levado para a assembleia.

Em nota oficial, a SuperVia informou que o último trem deixou a Central do Brasil, excepcionalmente, às 21h desta terça-feira (14), por falta de funcionários. Segundo a empresa, normalmente, a interrupção dos serviços ocorre às 22h30.

A SuperVia informou que o serviço será normalizado por volta das 3h40 desta quarta-feira (15), como de costume. A concessionária ressalta que as composições que ainda estão em circulação deixaram a estação antes desse horário.

Sindicato terá que pagar multa

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, nesta terça-feira (14), que o Sindicato dos Ferroviários terá que pagar uma multa de R$ 50 mil por descumprir a liminar do órgão, que previa que 60% do efetivo de maquinistas nos horários de pico.

O presidente do sindicato informou mais cedo que o sindicato não cumpriu a liminar porque a SuperVia, não apresentou uma tabela, que teria informações sobre o total de profissionais da empresa e quem estaria apto a participar da escala especial.

No entanto, segundo o TRT, a desembargadora Glória Regina Ferreira Mello não condicionou o cumprimento da liminar com a entrega da tabela.

Lemos disse, no início da tarde, que vai recorrer da decisão da Justiça porque, para ele, havia maquinistas suficientes para trabalhar, mas a SuperVia não teria dispobinilizado trens.

Sindicato x SuperVia

Acusado pela SuperVia de não cumprir o efetivo de 60% nos horários de pico durante a greve, o sindicato alega que não conseguiu cumprir a determinação porque a concessionária não teria fornecido as composições necessárias para os maquinistas trabalharem.

Segundo o presidente da classe, a empresa teria tirado de circulação alguns ramais complementares, como Raiz da Serra-Saracuruna, Japeri-Nova Iguaçu-Central, Paracambi-Japeri, Campo Grande-Central, Bangu-Central e Queimaidos-Central. Lemos explicou que só 45% dos funcionários estariam trabalhando, porque os demais teriam sido impedidos.

De acordo com a SuperVia, no entanto, apenas os trechos entre Vila Inhomirim-Saracuruna e Paracambi-Japeri ficaram sem circular, mas não houve redução na circulação de composições.

Ferroviários fazem passeata

Cerca de cem ferroviários saíram da Central do Brasil em passeata, na manhã desta terça-feira, em direção à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo o presidente do sindicato, o grupo tenta uma reunião com o presidente da Alerj, Jorge Piccinani, e com o deputado Gilberto Palmares, da comissão de trabalho da Alerj, para reivindicar melhores condições de segurança no trabalho.

As reivindicações, segundo o sindicato, não foram atendidas pela Supervia. Entre elas estão melhorias na sinalização, o conserto de composições que andam com portas abertas e problemas nos freios de alguns trens. “Eles colocam em risco a segurança tanto de maquinistas, como de ferroviários, que controlam a sinalização e são demitidos quando há falhas, e, principalmente, dos usuários”, reclama Walmir.

Fonte: G1

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