segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Também quero uma mãozinha do governo

O Governo vai liberar 6,5 bilhões de reais para agricultores e para a construção civil. Por causa da crise internacional e da falta de crédito, o governo considera que esses setores precisam ser ajudados.

Não estou entendendo nada. Que eu saiba, boa parte dos donos de construtoras e incorporadoras decidiu, espontaneamente, abrir o capital de suas empresas nos últimos anos. Quando eles fizeram o IPO, ganharam uma bolada (assim como os bancos e os escritórios de advocacia que os assessoraram). Há muito tempo já se falava que não havia espaço para as quase 20 empresas do setor na bolsa e que cedo ou tarde começaria um movimento de consolidação. Mesmo assim, pressionados por analistas e investidores todos os trimestres, os executivos e donos dessas empresas decidiram comprar terrenos e fazer lançamentos -- já que esse é um dos aspectos mais valorizados na hora de precificar uma ação. Em março deste ano, época em que a maioria das empresas começa a pagar os bônus de seus executivos, essas construtoras deram generosas bonificações para seus diretores e presidentes. Agora que a crise chegou, essas companhias estão sem capital de giro para construir o que prometeram -- e é aí que entra a mão do governo. Ou melhor: o meu dinheiro e o seu.

Não tem cabimento o governo emprestar dinheiro para empresários que tomaram decisões de negócios erradas. Capitalismo, como se sabe, implica em risco. E cada um deveria assumir os seus.

Eu não posso investir em ações (ninguém aqui da redação pode, para evitar possíveis conflitos de interesses). Mas tinha um dinheirinho num fundo de ações (esse está liberado). Obviamente, perdi parte dele. Isso deveria ser problema meu, já que EU tomei a decisão de aplicar minha grana ali e EU decidi assumir esse risco. Mas se o governo vai começar a abrir precedentes, acho que tenho o direito de pedir um dinheirinho em Brasília também.

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