Transparência para americano ver

Transparência continua sendo um assunto complicado nas empresas. Veja só a informação que li no Estadão de hoje. O laboratório americano Eli Lilly se comprometeu a divulgar nos Estados Unidos qualquer pagamento acima de 500 dólares feito a médicos que prestarem serviços à empresa (aí estão incluídas palestras, participação em pesquisas etc). A medida será válida a partir do segundo semestre de 2009.

À primeira vista a iniciativa parece ótima. Nos últimos anos, a indústria farmacêutica americana foi bombardeada pela opinião pública por conta de seu relacionamento, digamos, íntimo demais com médicos. Para lançar medicamentos, por exemplo, muitos laboratórios tinham por hábito organizar viagens nababescas para os quais os médicos eram convidados (obviamente, eles não pagavam um tostão para desfrutar das mordomias). O assunto é tão polêmico que rendeu um livro lançado este ano por uma ex-jornalista do The New York Times (leia aqui a resenha do livro publicada em EXAME).

Pois a iniciativa da Eli Lilly tem uma "pegadinha": não vale para a empresa toda. A subsidiária brasileira, por exemplo, ainda não sabe se vai aderir à prática. Oficialmente, a resposta que recebi da subsidiária é que "No momento, essa é uma iniciativa que será implementada apenas nos Estados Unidos." Ou seja: nos Estados Unidos a transparência será total, aqui....bem...vamos ver.

É bom deixar claro que a Eli Lilly não é a única multinacional a adotar políticas diferentes na matriz e em algumas subsidiárias. De varejistas a montadoras, a grande maioria das companhias estrangeiras instaladas no Brasil não divulga, por exemplo, os dados financeiros referentes ao desempenho no país. Por quê? Você não acha que qualquer empresa instalada aqui deveria prestar contas à sociedade?

Fonte:
Cristiane Correa

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