terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Estudante barateia balão meteorológico

Os estudantes de ensino médio Suny Watanabe e Ralf Gunter se preparam para viajar do vale do Paraíba para o Vale do Silício. A dupla vai apresentar um foguete e um balão meteorológico (construídos no seu clube de ciências) em uma reunião internacional de cientistas profissionais em San Francisco (EUA), no dia 18. O invento relativamente simples, concebido num exercício didático, já interessa indústrias brasileiras.

O encontro anual é promovido pela União Geofísica Americana e chama-se Bright STaRS (acrônimo para Estudantes Brilhantes Treinados como Pesquisadores Científicos). "A idéia é que estudantes de ensino médio façam pesquisa de verdade com um cientista e se apresentem numa conferência", disse à Folha Inés Cifuentes, coordenadora do evento.

Os meninos de São José dos Campos (SP) apresentarão pôsteres ao lado de 12 outras equipes, orientadas por pesquisadores de universidades californianas.

A ida ao congresso foi idéia de Marcelo Saba, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que fundou o Clube de Ciências Quark em 1994 e submeteu os projetos do grupo a Cifuentes. "Ela ficou empolgadíssima e nos convidou", conta.

A maior parte das despesas da viagem será paga com duas bolsas de US$ 950 da união geofísica. O restante é bancado pelas escolas e pelos pais dos garotos. O Quark funciona em São José dos Campos num prédio com apartamentos de pesquisadores (onde Saba mora) e um centro cultural ligado à organização religiosa Opus Dei. "É um pessoal católico, inofensivo", diz Watanabe, em resposta às críticas contra a linha conservadora da entidade.

Menina não entra no clube, explica Saba, por conta da "educação tradicional cristã" separada para cada gênero. (Existe outro centro na cidade ligado à Opus Dei que é exclusivo para mulheres, mas não possui clube de ciências.)

O balão do Quark não tem nada de muito "high tech". Oito bexigas de festa cheias de gás hélio fazem subir no ar uma esfera oca de isopor contendo todo o equipamento. Um microchip de R$ 12 programado pelos próprios estudantes coordena o funcionamento do termômetro elétrico e de duas câmeras digitais simples.

O sistema de aterrissagem é uma resistência elétrica de chuveiro que, ao esquentar, corta as cordas de seis das oito bexigas. Assim, o balão cai suavemente. O invento de baixo custo já interessa empresas do vale do Paraíba, que têm usado equipamentos de até R$ 2.500 para medir o perfil de temperatura do ar para controle de poluição.

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