domingo, 11 de julho de 2010

Depoimento com detalhes macabros ainda tenta livrar Bruno

Primo do jogador, o adolescente que confirmou a morte de Eliza e assumiu participação no crime levou policiais ao provável local da ocultação do cadáver.

Primo do jogador, o adolescente que confirmou a morte de Eliza e assumiu participação no crime levou policiais ao provável local da ocultação do cadáver. (FolhaPress)

O relato de quase sete horas feito pelo adolescente de 17 anos que afirma ter participado do sequestro e de agressões a Eliza Samudio surpreende pela brutalidade e pela frieza dos envolvidos no crime. E, ainda que o relato tenha nítidas intenções de preservar o jogador, dificilmente o goleiro Bruno, de quem Eliza foi amante, pode escapar da responsabilidade pelo assassinato. O menor, que é primo de Bruno, contou aos policiais da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro que Eliza foi estrangulada com uma corda e que seu corpo foi levado para um canil. Ali, o rapaz diz ter visto o momento em que o homem identificado como “Neném” arrancou a mão de Eliza e jogou-a aos cães.

Reprodução

Trecho do depoimento

Detalhe macabro da execução, levada a cabo por um homem chamado "Neném"

O rapaz informou que foi procurado por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, para ajudá-lo a levar Eliza para o sítio de Bruno, em Minas Gerais. Ele diz ter ficado escondido na mala do carro com uma arma. Eles passaram no flat onde Eliza estava hospedada, na Barra da Tijuca, pegaram a moça e o bebê e seguiram viagem. Pouco tempo depois, o rapaz saiu da mala do veículo e pulou para o banco de trás, dizendo “Perdeu, Eliza”. Neste momento, ela teria reagido, tomado a arma e tentado atirar. Como a munição havia sido retirada, o adolescente acabou recuperando a arma e desferiu coronhadas na cabeça da moça, que sangrou muito mas permaneceu lúcida durante toda a viagem, e não esboçou mais nenhuma reação até a chegada ao sítio do jogador, num condomínio em Contagem, próximo a Belo Horizonte .

Um dado importante, que se for confirmado pode ajudar a esclarecer a confusa cronologia do crime é a informação de que Eliza ficou sob a guarda de Sérgio Rosa Sales Camilo, e não podia usar seu telefone celular ou qualquer outro. A ligação para uma amiga em São Paulo, feita em 9 de junho e amplamente divulgada pela imprensa na semana passada, teria sido feita sob coação. Segundo o menor, foi sob ameaça de morte que Eliza disse à amiga que estava tudo bem e que Bruno lhe daria dinheiro e um apartamento em Belo Horizonte.

Daí por diante, até o desfecho macabro, o depoimento tem claramente a intenção de livrar Bruno de participação direta na morte de Eliza. Ele afirma que o jogador chegou no dia seguinte ao sítio e ficou surpreso ao ver Eliza assistindo televisão na sala. O goleiro teria perguntado a Macarrão o que estava acontecendo e dito a ele e a Sergio que resolvessem “o problema”. Depois, Bruno teria voltado para o Rio. Para finalizar, o rapaz diz que, na volta para o Rio, não contou ao goleiro nada do que havia acontecido.

Essa preocupação em não incriminar o primo não se sustenta. O menor diz que, embora não tenha contado nada do que aconteceu em Minas ao goleiro, acredita que Macarrão tenha feito isso. Ou seja, quando Bruno disse em sua primeira entrevista que um dia ainda riria de tudo isso, já sabia do que acontecera a Eliza.


O telefonema sob coação pode ajudar a compor a cronologia do crime. A surpresa de Bruno não se encaixa bem na história

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