sábado, 14 de março de 2009

Isto não é um teste. Isto não é um teste



É sempre bom ver o mercado de ações voltar à vida. Mas estou profundamente preocupado que o nosso sistema político não consiga entender o quanto esta crise financeira ainda corre o risco de enfraquecer nossas aspirações enquanto país.

Amigos, isto não é um teste. Economicamente, esta é a grande provação. É o nosso agosto de 1914. É a manhã seguinte ao ataque de Pearl Harbor. É o nosso 12 de setembro. Ainda assim, de várias maneiras, ainda estamos fazendo politicagem como sempre.

Nosso país está com insuficiência cardíaca congestiva. Nosso coração, o sistema bancário que bombeia sangue para os nossos músculos industriais, está obstruído e funcionando muito abaixo da capacidade. Nada mais se compara remotamente à importância da urgência em curar nossos bancos. Ainda assim, eu li que estamos segurando nomeações importantes para o Departamento do Tesouro porque nos preocupamos se alguém não pagou os impostos de previdência social para uma babá contratada 20 atrás por $5 à hora. Isto é uma loucura. É como se a nossa casa financeira estivesse pegando fogo e não deixássemos que os bombeiros abrissem o hidrante até que eles nos garantissem de que não há cloro demais na água. Hello? Enquanto isso, o Partido Republicano se comporta como se preferisse ver o país fracassar a ver Barack Obama ser bem-sucedido. Rush Limbaugh, o verdadeiro líder do Partido Republicano, disse de maneira explícita, convocando John McCain a falar sobre o presidente Obama no jornal "Politico": "Eu não quero vê-lo fracassar na sua missão de restaurar nossa economia". O Partido Republicano está de fato debatendo se quer ou não o fracasso de nosso presidente. Em vez de ajudar o presidente a tomar as decisões mais difíceis, os republicanos resolveram atrapalhar. É como se na manhã seguinte ao 11 de setembro, os democratas dissessem não querer ter nada a ver com a guerra contra a al-Qaida - "George Bush, vire-se sozinho!"

Quanto a Obama, eu gosto de sua calma perante as adversidades, mas às vezes sinto como se ele estivesse deliberadamente se mantendo longe da crise bancária, enquanto busca levar adiante outras iniciativas populares. Eu entendo que ele não queira que seu mandato se torne refém dos altos e baixos das ações dos bancos, mas se pensarmos bem, ele é refém. Todos nós somos.

Crises grandes e difíceis produzem grandes presidentes, portanto, sabemos ao menos de uma coisa com certeza: Obama terá sua chance de se mostrar grandioso. Esta crise é singularmente difícil em quatro aspectos. Primeiro, para sair de uma crise dessas, é importante deixar que os mercados se estabilizem. É preciso deixar as empresas fracassadas, ou os proprietários de imóveis, realmente falirem, desbloquear seu capital morto e reaplicá-lo em entidades prósperas. Foi como acabou a crise pontocom e daquela carnificina surgiu toda uma nova série de empresas. O problema com esta crise é que a AIG, Citigroup e General Motors - e a hipoteca subprime do seu vizinho - não são o Dogfood.com. Permitir que o mercado as elimine poderia resultar em sermos todos eliminados junto com elas. Portanto, o presidente precisa encontrar um modo de punir os maus agentes financeiros sem deflagrar outro efeito dominó como o dos Lehman Brothers.

Em segundo lugar, nós precisamos de um mercado ativo que proporcione um valor justo e clareza às "hipotecas tóxicas" que enfraquecem os balancetes de nossos grandes bancos. Isto provavelmente exigirá algum grau de subsídio do governo aos grupos de private equity e fundos hedge, para permitir que dêem os primeiros lances por estes ativos tóxicos, garantindo que eles não sairão perdendo. Isto pode até fazer sentido em termos de política, mas poderá ser visto politicamente como um pesadelo. Poderia soar a muitos como outra ajuda injusta a Wall Street.

Infelizmente, o presidente poderá ter que olhar o povo americano nos olhos e explicar que "a eqüidade não é mais uma possibilidade". A possibilidade real no momento envolve saber se evitaremos ou não um colapso do sistema - e isto exigirá recompensar alguns novos investidores.

Em terceiro lugar, o presidente pode ter que tomar algumas decisões de trilhões de dólares - como a nacionalização de grandes bancos ou dobrar o estímulo econômico - sem nenhum precedente real e sem saber todas as conseqüências a longo prazo.

Finalmente, para fazer tudo isso, o presidente terá que nos fazer compreender a gravidade do momento em que estamos, sem criar um pânico que leve os americanos a guardar cada centavo embaixo do colchão e minar a economia ainda mais.

Tudo isso exigirá liderança da mais alta ordem - decisões ousadas, persistência e persuasão. Há uma quantidade descomunal de dinheiro nas mãos de investidores, esperando a hora certa para apostar novamente nos Estados Unidos. Mas no momento, há incerteza demais. Ninguém sabe quais serão as novas regras que regerão os investimentos em nossas maiores instituições financeiras. Se Obama puder produzir e vender esse plano, os investidores privados, pequenos e grandes, nos darão um estímulo sem precedentes.

É por isto que eu acordo todos os dias esperando ler esta reportagem: "O presidente Obama anunciou hoje que convidou os 20 principais banqueiros do país, os 20 principais industrialistas, os 20 principais economistas de mercado e os líderes democratas e republicanos da Câmara e do Senado para se juntarem a ele e sua equipe em Camp David. 'Nós não desceremos da montanha até que tenhamos elaborado uma estratégia comum e transparente para nos tirar desta crise bancária', disse o presidente, enquanto embarcava em seu helicóptero".

Fonte: Terra Magazine

Nenhum comentário: