segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mano avisa que Timão está pronto para ser campeão

Mano Menezes é considerado um dos principais responsáveis pelo ano do calvário corintiano na Série B ter ficado na memória do torcedor apenas como um passeio tranquilo. Mas agora as coisas serão diferentes. De volta à elite, com reforços de peso e uma base já montada o técnico sabe que terá mais pressão. Porém assegura a todos que o Corinthians está mais preparado para disputar títulos.

- Voltamos para o caminho de ambicionar mais, preparar a equipe para disputar o título. Podemos perder ou ganhar, porque todos os grandes têm o mesmo objetivo, mas o Corinthians está mais preparado para disputar os títulos do que no ano passado - falou o treinador em entrevista.

Esse “mais preparado” dito pelo treinador não tem a ver com o fato de o Timão ter iniciado sua pré-temporada muito antes dos principais rivais, mas sim porque o clube conseguiu manter a base do ano passado e dar ao treinador a qualificação que ele tanto queria. Foram contratados seis jogadores: Ronaldo, Souza, Jorge Henrique, Túlio, Jean e Escudero. Todos destaques em seus últimos times.

Pouco antes de fazer sua caminhada, numa conversa que durou aproximadamente 25 minutos, o treinador falou também sobre a sequência da sua carreira, da relação do futebol com o marketing e da Libertadores, grande obsessão do Corinthians.

2009 fenomenal?

“Você precisa melhorar exatamente para a evolução do trabalho, daquilo que está fazendo a longo prazo. Tivemos uma boa temporada, formamos uma equipe e atingimos o objetivo maior, que era subir. Agora, iniciamos em uma condição diferente: temos uma base, contratamos jogadores em posições importantes, seja para serem titulares, opção ou melhorar a disputa interna. A expectativa é maior”.

Pressão por títulos

“Não vejo tanta necessidade de fazer trabalho especial para a pressão. Está na expectativa do grande jogador a conquista de títulos. Eu até diria que no ano passado foi mais difícil trabalhar isso: mostrar que no primeiro momento tínhamos que nos preocupar em formar equipe, principalmente no Campeonato Paulista, onde tivemos uma sequência de empates. Agora, naturalmente, voltamos para o caminho de ambicionar mais, preparar a equipe para disputar o título. Podemos perder ou ganhar, porque todos os grandes têm o mesmo objetivo, mas o Corinthians está mais preparado para disputar os títulos do que no ano passado”.

Favoritismo

“Palmeiras e Inter eram os favoritos na Copa do Brasil do ano passado. Isso só prova que, principalmente em torneio como a Copa do Brasil, não existe favoritismo na prática. A gente sabe conviver com a normalidade do futebol. A partir do momento que você tem a base mantida, contrata jogadores com mais nome e recebe o rótulo de favorito. Enxergamos isso com normalidade, mas dentro do trabalho sabemos que não resolve nada”.

Efeito Ronaldo

“É bom para todos nós. Nossa maior felicidade não é só com a repercussão. Nossa maior alegria é ter um jogador da qualidade dele, a possibilidade de participar dessa recuperação, desse retorno dele ao futebol de ponta e ter à disposição um jogador que pode ser tão decisivo”.

Conversa com Felipão sobre Ronaldo

“Ainda não tive a oportunidade, mas certamente vamos conversar se tiver. É isso que se conversa quando a gente se encontra, questões de vivência do futebol. Foi outro grande momento de recuperação (para a Copa de 2002), importante para o futebol brasileiro assim como pode ser agora. Ter essas informações pode ser importante para ultrapassar alguns degraus mais rápido”.

Plano de carreira

“Acho que está dentro do esperado. Eu sou muito realista quanto a essas questões do futebol. Ao mesmo tempo que o resultado positivo te dá projeção maior, o negativo também pode te trazer para realidade mais dura muito rápido. Temos como exemplo um dos principais técnico que é o Muricy... tricampeão, mas há pouco tempo teve o trabalho contestado até internamente. Eu vejo sempre isso com essa realidade dura. Futebol não tem futuro e só presente. Tem que aproveitar o presente. Não pode abrir mão do trabalho sério”.

Trabalho na Europa

“Não tenho essa preocupação momentânea. Dentro do que posso escolher, quero realizar mais bons trabalhos dentro do Brasil. Acho importante firmar uma posição de sequência e trabalho. Não vim para o Corinthians trabalhar só uma temporada, embora o contrato seja assim. O resultado de cada ano dá condição para a continuidade do trabalho”.

Projeto Libertadores

“Penso que devemos buscar títulos independentemente da vaga. Se conquistar o título, conquista uma vaga para a Libertadores. É nessa direção que temos que caminhar. Tem que ter humildade necessária para valorizar o que conquista. Um degrau abaixo também é bom (como segundo, terceiro ou quarto no Brasileiro).

O sonho por parte do torcedor é muito importante. E ele dá um parâmetro de onde precisamos chegar. Mas vou trabalhar como comandante da comissão técnica para que os jogadores tenham uma noção clara do quanto temos que caminhar até a Libertadores. Não podemos inverter as coisas. O título da Copa do Brasil dá uma vaga, mas nós sabemos o quanto é difícil. Vamos enfrentar o Itumbiara, que está se preparando para eliminar o Corinthians, e é o campeão goiano. Não podemos subestimar ninguém, sempre tem alguma surpresa. Nos últimos anos, sempre uma equipe da Segunda Divisão chegou nas fases finais”.

Marketing escalará Ronaldo?

“Nunca tive problema com isso. Pelo respeito que temos, vai ser conduzido dessa forma. Há bastante tempo o marketing vem andando ao lado do futebol. O problema é quando ele é colocado na frente do futebol. Lado a lado, não tem problema. Eles sabem que não podemos expor o jogador. Não existe pressão e não existe intenção de fazer pressão. Conhecemos a característica do torcedor do Corinthians. Ele gosta de ver resultado dentro de campo”.

Quando nós conversamos sobre a vinda do Ronaldo, a minha parte na conversação foi exatamente deixar as questões bem claras. Não podemos inverter a ordem do futebol. Toda vez que alguém tentou, o resultado não foi bom. Na primeira conversa com Ronaldo, as questões que partiram dele foram de que o retorno e a vontade era jogar com condição e não fazer uma aparição em São Paulo, vestindo a camisa do Corinthians. É assim que vejo o futebol”.

Fonte: Globo Esporte

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