terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Lula dirá a Sarney que não vai interferir em eleições internas do Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta segunda-feira à noite com o senador José Sarney (PMDB-AP) para informar ao peemedebista que o Palácio do Planalto não vai interferir na disputa pelo comando do Senado. Na conversa, Sarney deve confirmar sua candidatura à presidência da Casa como alternativa para unificar a base aliada governista.

Pela manhã, Lula enviou emissários para uma reunião, no Planalto, com o senador Tião Viana (PT-AC) --que insiste em manter sua candidatura, assim como o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que tenta a reeleição à presidência do Senado.

Interlocutores afirmaram que Lula mandou um recado direto a Tião assegurando que o governo não vai fazer campanha em favor de Sarney. Porém, aliados do presidente disseram ao petista que há situações específicas em que Lula não tem como interferir.

A Folha Online apurou que Lula mandou que Tião fosse informado de que os ministros José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), Edison Lobão (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações) vão atuar em favor de Sarney por questões partidárias e regionais.

Múcio porque atua também na sucessão pela presidência da Câmara e teria fechado apoio ao PMDB. Lobão, por questões regionais e afinidades pessoais, e Costa por questões partidárias --uma vez que peemedebista.

Promessa

Tião promete manter sua candidatura mesmo com a participação de Sarney na disputa, enquanto Garibaldi sinalizou que pretende deixar a corrida pelo cargo caso o peemedebista formalize a sua candidatura. Garibaldi, no entanto, também dá indicações que poderia sair como candidato avulso.

Lula optou pela neutralidade para evitar impactos ainda maiores na base governista, dividida com as candidaturas lançadas pelo PT e PMDB --partido com o maior número de parlamentares na Casa.

Apesar de pressionado pelos petistas para apoiar a candidatura de Tião, Lula prefere o distanciamento porque considera o apoio do PMDB no Senado essencial para garantir a governabilidade. Na semana passada, Múcio indicou que Sarney também seria uma alternativa positiva para o governo.

A posição de Múcio incomodou Tião, que foi à imprensa reclamar da campanha do Planalto contra ele. Em entrevistas, o petista acusou o ministro de falta de lealdade. Mas nesta segunda-feira ele afirmou que o assunto está superado.

PSOL

Otimista com a vitória, Tião conquistou nesta segunda-feira o apoio do PSOL à sua candidatura. O senador José Nery (PSOL-PA), único integrante do partido no Senado, formalizou a adesão ao nome do petista. Tião já contabiliza o apoio de seis partidos na disputa: PT, PSB, PR, PDT, PRB e PSOL.

Sorridente e agitado, Tião faz campanha do momento que acorda até a hora de dormir. Segundo interlocutores, ele dispara telefonemas e faz visitas aos senadores e políticos que possam apoiar sua candidatura.

As eleições para as presidências da Câmara e do Senado ocorrerão no dia 2 de fevereiro. No mesmo dia serão escolhidos os integrantes das Mesas Diretoras das duas Casas.

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