sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Israel pode ter cometido crimes de guerra em Gaza, diz ONU

O Exército de Israel pode ter cometido crimes de guerra na faixa de Gaza, afirmou a alta comissária para direitos humanos das Nações Unidas, Navi Pillay, nesta sexta-feira, segundo o diário britânico "Guardian". A declaração foi feita no dia em que a ofensiva israelense ao território palestino completa duas semanas, com um saldo de ao menos 780 palestinos mortos, dos quais 257 são crianças. Dez militares israelenses também morreram na operação.

Ao fazer a declaração, Pillay mencionou o assassinato de cerca de 30 palestinos em Zeitoun, no sudeste de Gaza. De acordo com quatro sobreviventes citados em relatório da ONU, militares de Israel mandaram cerca de 110 civis se abrigarem em uma casa de Zeitoun. Vinte e quatro horas depois, o local foi atingido por três projéteis.



Cerca de metade dos palestinos que buscaram refúgio no local eram crianças, afirma o relatório, que também acusa os militares israelenses de impedirem equipes médicas de chegarem ao local para retirar os feridos.

A alta comissária disse à rede BBC que o incidente "parece ter todos os elementos de um crime de guerra". Ela pediu por investigações "críveis, independentes e transparentes" sobre possíveis violações da lei humanitária.

O Exército de Israel negou que seus militares tenham forçado os civis a se dirigirem ao edifício que foi atacado. "Não alertamos as pessoas a irem a outras construções. Isso não é algo que fazemos", afirmou o porta-voz Avital Leibovich, citado pela Associated Press. "Não conhecemos esse caso", acrescentou. "Não sabemos que o atacamos. Não está confirmado que o atacamos."

Feridos

Wael Samouni, que perdeu três filhos no ataque, disse que dezenas de pessoas se abrigaram na casa após militares israelenses ordenarem que eles ficassem dentro do local. "Aqueles que sobreviveram, e foram capazes, andaram dois quilômetros até a estrada Salah Ed Din antes de serem transportados ao hospital em veículos civis", afirma o relatório da ONU. Nove membros da família Samouni morreram no incidente.

A acusação surge em meio à decisão de Israel de manter sua ofensiva aérea e terrestre em Gaza, apesar da resolução do Conselho de Segurança da ONU desta quinta-feira que pede pelo cessar-fogo imediato. Protestos contra a operação militar foram realizados em diversas cidades do mundo nesta sexta-feira.

O relatório, do Escritório da ONU para a Coordenação de Questões Humanitárias, não afirma que o ataque foi deliberado, mas o classifica como "um dos mais graves incidentes desde o início das operações" contra o grupo radical Hamas em Gaza, no dia 27 de dezembro.

Resgates

Nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha emitiu um comunicado acusando Israel de causar atrasos "inaceitáveis" no resgate de feridos em Gaza.

Ainda nesta quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde disse que 21 palestinos que trabalham no socorro às vítimas foram mortos, e outros 30 ficaram feridos desde o início da operação.

"Os israelenses estão atirando em todo mundo que tenta buscar os corpos", afirmou Haider Eid, professor da universidade Al Quds, à Folha Online, por telefone, de Gaza.

"Eu estava com dois ativistas internacionais, um do Canadá e outro da Espanha", disse o palestino. "Eles estavam em uma ambulância que buscava corpos em Jabaliya, começaram a disparar contra a ambulância, e dois médicos que estavam dentro da ambulância ficaram feridos."

O ataque a Zeitoun ocorreu no mesmo dia em que Israel atacou uma escola da ONU que servia de abrigo a centenas de palestinos, matando ao menos 40 pessoas. A ONU afirma que a escola estava claramente marcada com uma bandeira da ONU e sua localização era do conhecimento dos militares israelenses.

Fonte: FolhaOnline

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