Brasil cede à pressão da Bolívia e aumenta importação de gás

O governo brasileiro recuou e decidiu aumentar o volume de gás importado da Bolívia. Após reunião de quase três horas com uma comitiva de ministros bolivianos, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse que o Brasil ligaria duas novas usinas termelétricas, elevando a quantidade de gás importado pela Petrobras da Bolívia em 3 a 4 milhões de metros cúbicos por dia.

Segundo o ministro, o volume poderá ser ainda maior, dependendo do consumo da indústria. A expansão será feita sobre os 19 milhões de m3 diários e mínimos que o Brasil importa.

Pela manhã, Lobão tinha anunciado o desligamento de praticamente todas as usinas termelétricas brasileiras e o corte da importação do gás boliviano de 30 milhões de m3 por dia para 19 milhões.

"Na parte da manhã, não havia a necessidade dessas duas térmicas cuja necessidade surgiu agora à tarde", disse o ministro.

O corte havia sido feito porque, com as chuvas, os reservatórios das hidrelétricas estão cheios e não há necessidade de geração de energia pelas térmicas, que são mais caras e mais poluentes. A redução no consumo do gás boliviano representaria uma economia de US$ 600 milhões para o Brasil. Lobão não soube dizer qual será a economia no novo cenário.

Durante coletiva após a reunião com os bolivianos, Lobão, irritado, negou que a decisão tenha sido política, mas admitiu que o Brasil quer "contribuir" com o desenvolvimento do país vizinho.

"Mantemos com a Bolívia uma relação de extrema amizade, que tem se estreitado, sobretudo no governo do presidente Lula. Queremos contribuir para que todos os países vizinhos nossos tenham condições de desenvolvimento pleno", afirmou.

Serão religadas as térmicas de Araucária (PR) e Canoas (RS), que têm capacidade para gerar cerca de 600 MW.

Reunião

Após a reunião, o ministro do Planejamento e Desenvolvimento da Bolívia, Carlos Villegas, disse que foi ratificada a "aliança estratégica" entre os dois países. Além de autoridades do setor elétrico, como o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, participaram da reunião representantes do Itamaraty e o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

Segundo o ministro, o corte no volume de gás de 30 milhões para 19 milhões de m3/dia estava previsto para ser mantido até abril. Nesse período, há muitas chuvas e as hidrelétricas são acionadas, desligando, assim, as termelétricas movidas a gás.

Na reunião, os bolivianos reclamaram da redução na quantidade e de não terem sido informados da redução com antecedência. A Folha Online apurou que eles temiam que o corte fosse mantido durante todo o ano.

Fonte: Folha Online

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